bom retiro, michael jackson y otras cositas más
- melody erlea

- há 2 horas
- 5 min de leitura
seguindo minha resolução de usar esse espaço não apenas para quando eu quero escrever textos longos sobre um assunto em específico, mas também para registrar lembranças, divagações e aleatoriedades do dia-a-dia.
no último feriado fomos eu e namorado ao bom retiro; ele queria experimentar um lugar de comida judaica, o emporium brasil israel. chegamos na rua guarani e foi uma experiência tipo de filme do studio ghibli: não tem placa, não tem nome, o que tem é uma portinha que só as pessoas de coração puro conseguem encontrar. e uma vez lá dentro, um mercado mágico e infinito se abre num espaço pequeno demais pra tantas delícias. dividimos um lanche de pastrami, comemos picles de pepino, pão com gergelim feito lá, uma espécie de picles de arenque que meu namorado ama e cujo nome não lembro agora, compramos docinhos, picles e pães pra levar pra casa. não tirei foto de nada porque estava muito ocupada vivendo o momento, sabe? de lá fomos para a casa búlgara, comer bureka de chocolate e um outro canudo de chocolate chamado jofre. gostoso, mas não tanto quanto o hype fez parecer que seria.
o look que comprei na loja coreana. infelizmente as fotos não fazem jus à modelagem dessa roupa, tirei foto até de lado pra ver se dá pra entender a beleza dessa calça, mas não. nem a calça, nem o drapeado da blusa, a magia fica apenas pra quem me vir ao vivo.
na rua da casa búlgara tinha uma loja de moda coreana bemmm interessante. modelagens diferentes, calças belíssimas, jaquetas de babar. comprei um conjunto de calça pantalona e blusa, ambas numa modelagem magnífica. quero voltar lá e aos poucos encher meu guarda-roupa de looks coreanos descolados. enquanto eu tava experimentando as roupas, uma galera entrou na loja, se dirigiu ao andar de cima através de uma escada ao lado do caixa, e tudo que eu sei é que começou uma cantoria lá de cima, uma espécie de coro religioso ritualístico levemente desarmônico que a gente ficou ouvindo meio hipnotizados. tentamos pesquisar na interwebs pra saber o que era mas não obtivemos sucesso, mas considero que só testemunhar esse momento já ampliou meus horizontes culturais um tanto.
assoprador de lareira e mesinha de centro do bazar unibes, gatinho mecânico das redondezas do bazar
terminamos o dia no bazar unibes, onde vi coisas legais de decoração e adquiri copos de vidro colorido para que, como dizia pablo neruda, deixar a água e o vinho com sabor mais especial. chegando em casa lembrei que, quando visitei uma das casas de neruda no chile, não apenas aprendi sobre sua preferência por copos de vidro colorido, descobri que ele tinha o mesmo conjunto de pratos e louça que minha vó - parte desse conjunto de pratos está na minha casa, o que me faz compartilhar dos mesmos gostos decorativos de neruda. muito literária, ela!
em outras novidades de ultimamente, comprei dois anéis vintage no enjoei, e aproveitei que há umas semanas tava com uma vontade estranha de registrar minhas combinações de anéis pra fazer uns testes essa semana com ajuda do namorado.
ainda sobre impulsos consumistas recentes, adquiri e já consumi por completo dois livros da série megg&mogg, de simon hanselmann. o primeiro livro, megahex, eu li ano passado. essa semana encontrei por preço bom na amazon o bad gateway e o below ambition. o que, em megahex, parecia apenas uma narrativa absurda e non-sense sobre amigos maconheiros e desmotivados, se torna uma espiral insana e depressiva em bad gateway, em que os personagens se encontram cada vez mais sem perspectiva, sem bom senso e consumidos por sua compulsão a drogas. below ambition é uma seleção de histórias sobre a banda da juventude de dois dos personagens, com momentos interessantes de flashbacks e também um vislumbre do futuro, trazendo uma triste conclusão sobre um dos personagens e também um quê de esperança sobre o futuro dos outros. apesar dos personagens serem uma bruxa, um gato falante, um lobisomem e uma coruja antropomórfica, as histórias são muito reais e humanas, em momentos hilárias, em outros extremamente desoladoras, e sempre um reflexo das relações humanas e da interferência das burocracias da vida real nos nossos desejos. comovente, engraçado, deprê, escapista e realista ao mesmo tempo.
também fui ao shopping com minha mãe e irmã para assistir o filme do michael jackson, cheguei cedo e me mimei com uma tarde de dondoca no shopping: comprei chocolates dengo, tomei sorvete de pistache, passei na zara e comprei roupitchas (eu sou totalmente defensora da moda de segunda mão e compro majoritariamente em brechós e no enjoei, mas de vez em quandíssimo, quando acontece de eu estar num shopping, eu me permito entrar na zara e dar uma olhadela). a zara é meio que nem brechó: tem dias que a gente vai e não tem absolutamente nada que nos interesse, e tem dias que a gente vai e encontra vários tesouros. também cometi uma compra que eu jamais imaginaria há algum tempo: um par de chinelas da birkenstock. isso é 100% influência do meu namorado, que tem duas que ele ama e usa quase diariamente. eu acho que a combinação de sola de cortiça e tiras de camurça numa papete cria um resultado meio hippie demais pro meu gosto, mas me interessava o conforto de um calçado que dá pra usar no dia-a-dia. vi essa versão inteira de couro (inclusive sola), com as fivelas um pouquinho diferentes do modelo clássico, e achei uma adição chique ao meu armário.
calça que comprei na zara e as chinelas birkesntock
o filme do michael foi aquela coisa de cinebiografia dessas pra parecer grandiosas ao mesmo tempo que são extremamente palatáveis a absolutamente qualquer público. sem muita crítica, sem polêmica, nada que faça a gente, assim, parar e pensar sobre algo. figurinos incríveis, caracterização impecável, hit do michael atrás de hit pra gente se envolver com essas canções que já são universais sem ter que quebrar muito a cabeça sobre nada: indústria musical, abuso de substâncias, acúmulo obsceno de dinheiro, trabalho infantil, relações familiares... alguns desses tópicos são até, bem de leve, trazidos à narrativa, mas o foco é, do começo ao fim, a grandiosidade desse pequeno rapaz chamado michael jackson. pure entertainment, mas nem um pouco catártico.
pra terminar esse post de aleatoriedades: achei nas minhas pastas antigas essa colagem que fiz dos smiths quando tava no colegial! era a capa de algum dos meus cadernos.

e para além do look coreano e da calça nova da zara, aqui estão alguns looks que usei nos últimos dias, começando com o que usei no dia do passeio no bom retiro.
desde que herdei essa bolsa chique louis vuitton tenho me sentido muito chique, mas também sinto que a bolsa carrega uma seriedade fashion que precisa ser quebrada, então tenho tentado adorná-la com badulaques.
e um amigo me viciou num terrível hábito digital contemporâneo, que é transformar meus looks em ilustrações estilo ghibli usando uma inteligência artificial do whatsapp. eu sei que usar IA pra amenidades como essa é terrível (gasta recursos naturais e reservas de água, invisibiliza artistas reais, se utiliza de referências sem crédito intelctual ou compensação monetária...), mas fica tão engraçadinho, socorro, eu sou muito vendida ao sistema, desculpa, mundo.




































































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