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a lot like love, uma comédia romântica perfeitinha

  • Foto do escritor: melody erlea
    melody erlea
  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

revi pela quadragésima vez a lot like love, para sempre um filme do conforto, mas agora, 20 anos depois de seu lançamento, pensei o seguinte enquanto assistia:


- o começo do filme, um flashback do fim dos anos 90 quando oliver e emily se conhecem num aeroporto enquanto esperam pelo mesmo vôo de los Angeles a nova york: que engraçada essa nostalgia que eu senti vendo um filme pela centésima vez, agora 20 anos mais tarde, e sentir aquela velha sensação que chega na vida de todo ser humano que tem o privilégio de envelhecer: realmente bons tempos os tempos da minha infância e juventude. a roupa da emily, o ato de fumar tão no-chalantly, num retrato da jovem fumante que não chega a ser romântico, mas é tão matter-of-factly - tipo ela é jovem, ela é desafiadora e imprevisível, ela namora um cara que tem uma banda... o fumar acontece naturalmente nesse contexto. a vida aconrevebdo sem celulares, sem smartphone, o oliver escrevendo num papel o telefone dele pra emily ligar em 6 anos (e emily encontrando esse telefone dentro da agenda - de papel - 3 anos depois e simplesmente discando o número e ligando, dizendo "posso falar com o oliver? quando a mãe dele atendeu. as fotos analógicas, a preocupação com não desperdicar o filme. a ideia de dois jovens explorando a cidade enquanto se conhecem. esse parte do filme cheira a nostalgia, mas é uma nostalgia que, quando eu vi o filme pela primeira vez, era simplesmente como a vida era.



além disso, esse primeiro ato em que os protagonistas se conhecem e passeiam juntos por nova york é relativamente longo e possui um estilo que me parece ter simplesmente morrido nas comédias românticas, que é uma longa seção do filme em que os personagens apenas... conversam. num momento meio parecido com o filme antes do amanhecer, oliver e emily só andam pelas ruas conversando sobre tudo e nada, naquele tipo de conversa onde uma intimidade vai se construindo através de amenidades que em momentos se tornam conversas profundas em que ambos passam a se conhecer melhor. é tão bonito, e tão simples, e dispensa certos clichês de comédia romântica como as artimanhas pra fazer dois personagens se apaixonarem. é natural, e acreditável.



- o começo da internet, e as tentativas iniciais de usar a internet como um meio para fazer negócios, quando tudo que era online ainda era livre o suficiente pra ser explorado do jeito que qualquer um quisesse. muito antes de amazon e instagram, a internet era esse lugar misterioso onde tanta gente botou as esperanças pra ser o primeiro a explorar. o filme também mostra a tal da "bolha da internet" após estourar, quando todas essas tentativas de negócios pela internet vieram a inevitavelmente dar errado. quanta ingenuidade na internet de outrora e quanta ingenuidade em nós, usuários da internet de outrora, que perdemos a batalha da world wide web para mega corporações que transformaram tudo em propaganda.


- esse foi o primeiro filme em que vi kathryn hahn e isso por si só merece ser comentado. e não sei se foi a primeira vez que a vi, mas esse filme foi quando amanda peet virou uma das minhas atrizes preferidas (inclusive ela está ótima na série seus vizinhos e amigo, e é uma das poucas atrizes de hollywood que não transformou o rosto numa máscara de cera). e no mérito das atrizes coadjuvantes, a irmã do oliver é a atriz que interpreta a inesquecível pensatucky em orange is the new black, e também está em crossroads, o filme da britney spears. ah, não posso deixar de mencionar megan markle, a atriz-que-virou-duquesa.



- a trilha sonora é tão bem feitinha, complementa tão bem a narrativa, e preciso destacar a linda cena dos dois no meio do deserto a noite tirando aquela foto com o céu estrelado, um momento romântico e sexy e esperançoso, pra cena seguinte ser o anticlímax do guarda do parque onde eles estão batendo na janela do carro pra eles se vestirem e darem o fora dali: pô, é que nem ouvir uma música pop perfeita, sabe, essa cena é uma cena-pop perfeita.


- a ideia de que a juventude pode ser explorada e nem sempre nossa primeira escolha é a melhor: emily tava tentando ser atriz quando vê que oliver enquadrou uma foto que ela tirou sem pretensão nenhuma - é aí que decide começar a explorar essa habilidade. passam anos até que fotografia vire sua profissão e sua arte. o oliver tá lá todo perdido, querendo seguir um roteiro de vida pré planejado e tudo segue dando errado ao ponto de ele voltar pra casa dos pais, desempregado, aos 30 anos. as coisas dão errado, às vezes dão certo, e aí dão errado. e vida segue rodando.



- aquela festa de ano novo, meudeusss, sem celular, só vibes, e a sensação que quase dá pra gente sentir também de quando emily vê o ex na mesma festa com outra mulher. e quando emily vai ao banheiro e rapidamente vemos ao fundo um casal saindo da mesma cabine fungando e passando a mão no nariz... 😅e, claro, um dos beijos à meia noite mais inesquecíveis do cinema.



- a cena da loja de discos, em que emily conhece seu novo interesse amoroso procurando cds (!!!!). uma experiência tão específica de uma era, porque comprar discos e cds naquela época não era cool nem coisa de colecionador nem retrô nem um hobby aesthetic asmr pra postar nas redes sociais, era simplesmente o que todo mundo fazia porque era assim que as coisas eram. e emily tirar de uma pilha de cds iguais justamente a edição importada, com b-sides acústicos e faixa bônus é, também, uma experiência muito particular de uma época, e que na época não parecia nada especial, apenas algo cotidiano e ordinário. se eu soubesse que perderíamos essa sensação, juro, teria comprado ainda mais cds do que comprei.


enfim, nostalgia total, um filme que segue sendo perfeitinho e minha comédia romântica preferida.

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