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it's all happening (or is it?)

Foto do escritor: melody erlea
melody erlea
há 13 horas
9 min de leitura

outro dia um bem-te-vi pousou bem na minha varanda. fiquei tão feliz com a visita inesperada que postei nos meus stories, só pra receber aproximadamente 236 mensagens dizendo que bem-te-vi aparece quando alguém está grávida. deusmilivreguarde, a galera gosta de amaldiçoar pessoas aleatórias na internet, hein.


anyway, já sã e salva da ameaça da gravidez, aqui estão outras coisas que aconteceram comigo nos últimos tempos.


fui com o namorado à feira de discos e brechós da galeria metrópole, bem no fim de semana da virada cultural. afora o caos e trânsito no centro da cidade por causa desses eventos todos, tivemos um passeio agradável (e bem chuvoso) e alguns achadinhos preciosos: achei um vinil do phil collins por 30 reais - disponível também na incrível

tecnologia de fita k7 - e num brechó da galeria um maravilhoso vestido lacroix com estampa modernista e uma jaquetinha dos anos 80 na cor champagne, em seda pura.



também voltamos pela segunda ou terceira vez ao brechó boutique que fica na mooca - um dos melhores de sp, com um espaço enorme CHEIO de roupas vintage e ótimos preços - já comprei casaco dos anos 60 por 60 reais, e dessa vez garimpei um macacão bem 70s, que me custou a bagatela de 40 reais! ao todo, desse brechó, já achei: cardigan de cashmere da selfriges, jaquetinha 60s à la jackie onassis, casacão vintage da ru-ri-ta, casacão de onça, pulôver estampado dos anos 70, vestido 80s preto e branco, e deve ter mais coisa que não tô lembrando agora. namorado também garipou lindas calças vintage, coletes de lã, bermuda... um lugar que 100% vale a pena a visita.


lindo espécime encontrado no brechó da mooca
lindo espécime encontrado no brechó da mooca

também ganhei do namorado o vinil do novo álbum da hayley williams, que eu admiro cada vez mais como musicista, artista e, claro, fashion icon. desde o disco de 2017 do paramore eu vejo essa tentativa - muito bem sucedida - de sair do território da música emo e se aventurar num som que, embora carregue características do rock adolescente do paramore, busca referências mais abrangentes de sonoridade. nesse disco da hayley a gente vê uma mistureba doida de jangle pop, com o rock e o pop dos anos 2000, com experimentações eletrônicas, autotune (não porque a hayley precisa - ela é definitivamente uma das maiores vozes do pop-rock atual - mas porque ela gosta da brincadeira de explorar mudanças em sua voz para causar certos efeitos e impactos), tudo contornado pelas narrativas de paixão e heartbreak que esperamos de um disco de término de relacionamento. acho curioso que esse disco tenha sido lançado muito próximo do último disco da lily allen, outro disco de término que marcou o fim do ano passado. apesar do tema similar, os dois discos trazem visões muito diferentes de uma mulher recém-solteira: enquanto lily allen descreve um relacionamento baseado em manipulação, e consegue tratar disso com humor e ironia, hayley narra a dor de perder um amor que ela tinha quase certeza que era _O_ amor: uma amizade de décadas, uma parceria musical numa banda de sucesso estrondoso, o finalmente entender um sentimento que é mais do que amizade e aceitar esse amor como mais do que platônico, para então perder, basicamente, tudo: o relacionamento, a amizade, quiçá a banda. tanto hayley quanto lily ressurgem das cinzas como duas fênix de coração partido e remendado, e se descobrem mais poderosas na solidão, como trovadoras modernas desses relacionamentos falidos, do que eram dentro de seus relacionamentos. passo boas horas vendo trechos de vídeos dessa turnê da hayley, e sinto que a apresentação das músicas ao vivo oferece uma experiência completamente diferente das versões de estúdio - no palco esse é um show de rock, embora ouvindo o disco ele pareça mais uma experimentação de eletrônico-alternativo. a voz da hayley poderosíssima, uma banda de acompanhamento espetacular (banda, inclusive, que já fazia apoio para o paramore), um figurino sem igual, coeso, coerente, original e único, e a escolha por lugares menores para shows um pouco mais intimistas. ansiozzy pelo show aqui em são paulo.



isso tudo aconteceu antes das férias de julho (sim, estou escrevendo esse post desde junho), durante as quais fui conhecer outros brechós pela cidade: o brechó agora é meu, onde fui dar uma olhada nos desapegos da traudi guida (e voltei pra casa com um vestido de seda pura e um cardigan da nv), o happy to be second, onde achei uma camisola vintage de seda, a mais bela jaqueta plissada made in usa, e um casacão da chloé que é um sonho (pena que esse ano quase não houve inverno nessa cidade pra eu desfilar meus casacos), e o etiqueta 12, onde achei uma bermuda boa pra trabalhar, um óculos de sol alexander mcqueen e um moletonzinho com vibe 70s que me parece ser uma peça piloto (não sei de que marca, a etiqueta foi arrancada). não tenho fotos de todos esses itens, mas tenho uma bela coleção de luquinhos não previamente postados pra quem gosta de ver (alguns dos quais incluem os itens de brechó mencionados ao longo desse post)



encerrei as férias trocando de emprego (uma decisão difícil e com a qual eu ainda não sei se estou totalmente satisfeita, porque eu amava a escola onde trabalhava e estou tendo uma dificuldade enorme de me adaptar ao novo trampo). passei uma semana em treinamento, e fui recepcionada muito bem pelos novos alunos no primeiro dia de aula - até desenho e cartinha eu ganhei. no fim, dar aula é sempre satisfatório, mesmo que o resto das tarefas de professora não sejam tanto.


também vivi uma nova experiência no fim das férias: discotequei em vinil pela primeiríssima vez, com o incentivo do namorado que me convenceu a topar essa loucura. deu tudo certo, embora eu estivesse tão nervosa que basicamente não tenho memória da uma hora em que fiquei trocando e tocando discos.


ainda sobre discos, tenho encontrado coisas legais em vinis que tenho há tempos: ouvindo um disco da madonna encontrei dentro uma página de revisa da época com o bon jovi de um lado e a letra de uma música do disco do outro - amei! e num crossover de eras, encontrei dentro de um vinil de 1966 do gary lewis and the playboys duas letras impressas em 2000 e 2002! amo esses resquícios que sobram das vidas anteriores dos meus discos - é um dos motivos pelos quais eu amo comprar vinis usados (e também roupas de brechó)



também adquiri recentemente o primeiro disco do elvis, numa edição de 1986 que parece ser a única que existe aqui em terras brazucas. imediatamente tirei o retrato em família do lp do elvis junto de seu filhote compacto, ao lado dos primos the clash e tom waits. que família lindaaa c:



nos últimos meses também avancei nas minhas leituras prazerosas: li dois livros do uketsu, strange pictures e strange houses, os dois bem maravilhosos. fazia tempo que eu não lia literatura japonesa, desde que maratonei e depois desencantei dos livros do murakami na juventude. emendei com um livro do soji shimada, murder in the crooked house, uma narrativa meio agatha christie com um assassinato em quarto trancado dentro de uma mansão com convidados isolados por uma tempestade de neve. não fui inteligente o suficiente para resolver o mistério por mim mesma (e, a bem dizer, acho que faltaram muitas explicações pro leitor ser capaz de concluir quem era o assassino), mas gostei tanto que agora estou lendo the tokyo zodiac murders do mesmo autor. tokyo zodiac murders é o primeiro livro de soji shimada sobre o detetive kiyoshi mitarai, um astrólogo e investigador amador com um poder de dedução e leitura das pessoas que se assemelha ao sherlock holmes. e assim como sherlock, kiyoshi tem um amigo e parceiro de investigação que registra e publica livros dos casos dos quais eles participam, tipo o watson. sherlock e watson japoneses, pensa numa leitura agradável divertida, envolvente (embora os casos sejam impossíveis de solucionar). the crooked house, o livro que li antes, é mais uma aventura de kiyoshi mitarai, e existem dezenas de livros em que esse detetive investiga os mais absurdos assassinatos. em zodiac murders, a história começa com um serial killer em 1936, e quarenta anos depois, com o mistério ainda não solucionado, kiyoshi decide tentar, finalmente, descobrir o autor dos crimes. parte da história se passa durante as olímpiadas de tóquio, o que me lembrou uma série que vi recentemente, straight to hell, que narra a vida da protagonista kasuko hosoki, a mais famosa astróloga e vidente do japão, desde sua infância no pós-guerra até os dias de hoje. os episódios que mais me interessaram são, justamente, o que se passam nas décadas de 60 e 70, que incluem a loucura das olímpiadas em tóquio. ainda na vibe japão, o namorado pegou pra mim na biblioteca do trabalho um livro sobre cinema japonês que eu estou lendo aos pouquinhos e gostando muito - me deu até vontade de rever alguns filmes do kurosawa, especialmente rashomon.


também comprei mais dois livros da série megg&mogg, da qual já falei nesse post aqui: werewolf jones & sons, que já li, e crisis zone, que se passa na pandemia e estou lendo bemmm devagarzinho. também li, nos tempos recentes, how obelix fell into the magic potion when he was a little boy, e amei! eu não lia livros do asterix desde a infância (e ainda tenho os meus em casa), e esse é diferente porque não é em formato de quadrinhos, e sim em prosa curta com belíssimas ilustrações. uma delícia de leitura. segui as leituras com freaky friday, o livro que originou o maravilhoso filme com lindsay lohan e jamie lee curtis. o livro tem alguns pontos bem diferentes do filme, que claramente foi atualizado para os espectadores dos anos 2000, mas é bem divertido e engraçado, embora o final seja uma coisa meio deus ex machina. também achei chato ter a perspectiva apenas da filha, e não da mãe, mas no fim do livro a gente entende o porque disso. no geral, o filme, que inclui figurinos incríveis, música tema tocada por banda adolescente fictícia e a atuação excelente e hilária da jamie lee, me apetece mais do que o livro (também vi o segundo filme e ele não alcança a genialidade do primeiro, mas jamie lee segue imbatível). também li - ou melhor, devorei em uma semana - flowers for algernon, do daniel keys, uma ficção científica com uma pegada menos fantasiosa e mais filosófica, que eu achei lindo, triste e com um tema muito mais complexo do que eu poderia explicar aqui, embora seja uma leitura deliciosa. também li o novo livro da lena dunham, famesick, que me levou devolta aos bons tempos em que girls passava semanalmente na hbo e eu esperava ansiosamente pelo próximo episódio, me identificando com a vida daquelas personagens que tinham a mesma faixa etária que eu e moravam na versão norte-americana (nova york) da cidade brasileira onde eu moro (são paulo). o livro, como tudo que a lena escreve e diz, tem momentos hilários, momentos sensíveis, momentos profundos, momentos lindos e, também, muitos momentos egocêntricos e exagerados, como boa celebridade hollywoodiana que, apesar de tentar, não consegue não se enxergar como umbigo da cultura pop. a leitura é gostosa, e, pra mim, o mais legal foi ter vislumbres de momentos da vida dela que acabaram se tornando narrativas em suas séries e filmes - a mulher realmente transforma tudo em conteúdo, em humor, em roteiro, em história pra ser contada. e iniciei setembro com a leitura de we have always lived in the castle, da shirley jackson, uma leitura assombrosa, envolvente, ansiosa e magnífica.


com essas leituras todas (incluindo os livros infanto-juvenis), consegui passar o ano inteiro adiantada no meu desafio de leitura do goodreads desse ano, cujo objetivo é ler 20 livros (por prazer, sem contar coisas que leio para trabalho ou estudos). esse ano tem sido bem frutífero nas leituras! descobri escritores, variei nos estilos (quadrinhos, livros ilustrados, comédia, mistério, ficção científica, literatura da diáspora negra, autobiografia...) e a maioria dos autores que li eram inéditos para mim. vamos ver se consigo seguir nesse ritmo até o fim do ano. espero muito que sim, porque esses momentos de leitura tem sido meu escape do trabalho e da vida adulta e um grande alívio para meu cérebro.


outras coisas aleatórias que aconteceram:


  • na época da copa pedimos uma pizza e recebemos a já clássica caixa de pizza HUMO AO HEXA, que eu achei que era penas meme da internet mas não, ela existe mesmo

  • vi uma bolsa do totoro numa loja de bugigangas japonesas, onde comprei uma lâmpada de pato cuja bateria dura muito pouco pra eu ter saco de carregar



  • fui à casacor, onde tirei pouquíssimas fotos que ia registrar aqui mas fiquei com preguiça



  • o gato do vizinho, carinhosamente apelidade de gato-matelassê, fez uma aparição

  • conheci um gato pintado num lugar onde levei minha vitrola para consertar


  • encontrei a menor peça de xadrez que já vi na vida (só essa única peça, que adotei como minha e agora mora no meu estojo)

  • meu estojo em formato de ornitorrinco ganhou um chapéu feito pelos meus alunos

  • fui ver marina lima ao vivo com o namorado

  • também fomos à sala são paulo, chique

  • e acho que fim











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