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there's more to life than books, you know (but not much more)

  • Foto do escritor: melody erlea
    melody erlea
  • há 2 dias
  • 11 min de leitura

Atualizado: há 15 horas


tudo começou quando cheguei em casa do trabalho e quis olhar meus livros adquiridos recentemente. na verdade tudo começou sábado, quando fui à livraria martins fontes da paulista para o lançamento do novo livro do meu namorado (chiquérrimo) e aproveitei o evento pra gastar algumas realezas em livros novos.


eu sou muito fã do kindle e leio majoritariamente livros digitais que eu pirateio pela maravilhosa world wide web, mas vezenquando ainda me permito a extravagância de comprar livros físicos, normalmente de segunda mão (tenho essa mania de querer livros que não são mais publicados), já que, nos últimos anos (e principalmente desde o derradeiro fim da outrora maravilhosa livraria cultura), não tenho frequentado livrarias tanto quanto antigamente - não porque não gosto, mas porque perdi o hábito por motivos de: kindle, passar a morar mais longe do centro expandido, os preços altos dos livros novos e o já mencionado hábito de querer adquirir não os lançamentos recentes e livros do momento,

mas ficção científicas esgotadas, livros de fotografia e de teoria de moda esgotados, e

clássicos cujas reedições são muito caras pra quem, nos idos dos anos 2000, comprava de literatura russa a literatura argentina, passando por literatura francesa, inglesa, brasileira, italiana, colombiana, tudo por 3 reais nos sebos da consolação e da augusta.


aproveitei minha compra na martins fontes pra juntar pela casa os outros livros que eu comprei no último ano, incluindo alguns que eu trouxe da minha viagem para londres ano passado (sobre a qual nem postei por aqui, mas pretendo ainda, nem que seja pra deixar registrado sem grandes reflexões, só belas fotos), alguns que ganhei, e outros que achei garimpando pela internet. esses livros são um belo assortment das variadas coisas pelas quais meu cérebro se interessa, e uma grande evidência da minha necessidade de escape da vida real.


os livros infantis



temos nessa coletânea de livros infantis, o mais agradável dos escapes para o adulto que não deixa sua criança interior morrer:

  • lucca e a traquitana, o adorável livro do meu namorado (o segundo dele, inclusive)

  • a light in the attic, do shel silverstein, um dos maiores poetas infantis de língua inglesa, e um grande favorito meu não apenas pela obra infanto-juvenil mas também pelos afiadíssimos e hilários poemas para adultos, incluindo o maravilhoso poema, publicado originalmente na revista playboy, the great smoke off, em que maconheiros do mundo inteiro se juntam no estádio dos yankees para assistir duas pessoas competindo para descobrir se uma delas consegue enrolar cigarros de maconha mais rapidamente do que sua adversária consegue fumá-los. pensa assim numa masterpiece, sabe? é esse poema, que tem uma versão musicada por uma das minhas bandas favoritas, the deer tick.



  • o detetive dos labirintos, let's go to the mall e olá, cidade! três livros do mesmo tipo, desses com ilustrações detalhadíssimas e poluidíssimas onde a gente tem que encontrar elementos escondidos e viver uma breve aventura - tipo onde está o wally, só que melhores. eu sou muito muito fã desses livros de encontrar coisas desde a infância, embora eu não tenha muita paciência para ativamente encontrar as coisas; gosto só de ficar observando as ilustrações com calma e atenção, absorvendo tudo que está acontecendo na cena. gosto tanto tanto que tenho, da minha infância lá nos anos 90, dois livros desses da disney, que foram ficando comigo conforme eu desapegava de outros livros e brinquedos da minha infância.

  • penadinho: luz, minha mais nova adição à minha pequena mas querida coleção de quadrinhos do maurício de souza da graphic msp, a melhor coisa que o maurício de souza fez nos últimos anos. eu já tinha o primeiro penadinho (penadinho: vida), além de alguns outros (vide foto), e agora tenho o terceiro penadinho (pulei o segundo, acontece).

  • uma menção especial aos livros que quase esqueci de incluir nesse post, e que não são exatamente livros infantis mas também meio que são: clueless - cher's guide to... whatever, um clássico dos anos 90 que eu garimpei na interwebs; e livros de atividade, dois de colorir e um cheio de adesivos de roupinhas e acessórios pra eu montar minhas personagens de mangá. parece bobo mas eu e namorado nos divertimos à beça escolhendo luquinhos pras personagens (talvez ele estivesse bêbado, não confirmo nem nego).


livros que comprei na inglaterra


  • the burial of the rats, do bram stoker, foi um livrinho de contos do bram stoker que encontrei na lojinha de souvenires do barbican centre. até então eu só tinha lido dracula do bram stoker, e apreciei a ideia de contos curtos de terror de um dos grandes nomes do gênero. alguns contos foram bem legais e aterrorizantes, outros me parecerem meio perdidos, sem objetivo ou resolução clara, e um ou outro me supreendeu pelo, pasmem, racismo...???? a maneira como ele descreve duas irmãzinhas de origem indiana, duas crianças, como fisicamente maduras pra sua idade me deixou levemente enojada pelo que é, atualmente, uma clara sexualização de crianças de outra etnia, mas que, ao que me parece, era um comentário comum e aceitável para stoker. ele também descreve um grupo de catadores de lixo e moradores do lixão de um jeito que, eu entendo, era para cumprir um papel de seres assustadores na história, mas também me soa meio classista pros padrões atuais (hoje em dia parece mais verossímel que pessoas riquíssimas e poderosíssimas sejam praticantes de canibalismo do que pessoas paupérrimas e famintas, como bem sabemos). de qualquer jeito, uma leitura interessante e um pequeno aprofundamento na literatura de um autor que eu já amava, apesar de ter lido apenas sua obra mais famosa antes de comprar esse livrinho.

  • contemporary writers, da virginia woolf, foi um achado hilário na biblioteca do hotel onde fiquei. trouxe ele pra casa bem na maciota porque simplesmente não podia deixá-lo para trás. nesse livro, virginia escreve reviews sobre alguns de seus colegas escritores, e ela basicamente acaba com cada um deles. [PEGAR EXEMPLO DOS STORIES]

  • graphiker der gegenwart, um livrinho mágico com reproduções de ilustraçoes e fotos do início do século XX, de 1900 a 1920. uma coisa maravilhosa e preciosa, mesmo que seja todo em alemão e eu não entenda nada do que esteja escrito - o tipo de livro que a gente se contenta em apreciar as imagens, sabe?


  • the prisoner of zenda, do inglês anthony hope, e o tcheco tales from two pockets, de karel čapek. esses dois livros lindos&antigos eu comprei numa livraria de livros raros e antigos que encontrei caminhando por londres. pensa numa livraria de filme, sabe? todas as paredes forradas de livros antigos, e atrás de uma mesa o dono da loja, que me atendeu com seu lindo e educado sotaque inglês de alguém que já leu muito na vida. minhas escolhas literárias vieram de uma pequena estante na calçada da livraria, com livros sinalizados por um preço especial: todos por 10 libras. minha escolha se baseou em ler a primeira página e gostar do que li. já comecei a ler o tcheco, uma coletânea de contos bem humorados embora todos muuuuito parecidos. esses contos eram publicados semanalmente em jornais ou revistas, então não foram feitos para serem lidos todos de um vez, em uma sentada, um após o outro. tranquilizada por essa premissa, dei uma pausa no livro e o terminarei aos poucos. o inglês ainda não foi começado, mas será em breve.

  • someone like you, do roald dahl. esses dois foram minhas compras de aeroporto na volta para o brasil. roald dahl é um autor que eu amo e que leio há muitos anos, e essa coletânea de contos adultos incluía vários que eu já havia lido e alguns inéditos para mim. amei reler os que já conhecia e ler os que não conhecia. o do cara gay me iludiu pela proapaganda do prêmio pulitzer, mas achei chato demais e larguei antes de chegar na metade, às vezes acontece.


livros de moda



  • from sleepwear do sportswear, uma incrível coleção de imagens, arquivos históricos e registros de mulheres do início do século XX usando calças, na já clássica modelagem pantalona que hoje é comum mas que inicialmente era usada como roupa de praia. a pesquisa é das administradoras do perfil no historicpajama no instagram.

  • psicologia do vestir, um raríssimo e esgotadíssimo livro de ensaios sobre moda, que garimpei na estante virtual e que inclui um belíssimo texto de umberto eco.

  • inéditos vol. 3 - imagem e moda, do roland barthes, meu teórico de semiótica favorito (e um dos poucos que eu consigo ler por prazer). nesse livro ele fala sobre moda, cinema, fotografia... enfim, ideias e teorias sobre imagem e mídia. eu tinha esse livro na época da faculdade, comprado novo na livraria, mas perdi. achei esse na estante virtual, infelizmente ele está todo anotado e sublinhado, mas é o que temos.

  • fruits, o icônico livro de fotografias de streetwear japonesa dos anos 2000, hoje em dia uma raridade. quase todo dia depois da escola eu ia até a livraria sciciliano no shopping do meu bairro pra ficar olhando as fotos desse livro e sonhando acordada. aproveitei que hoje em dia eu tenho dinheiro de adulto, que não tinha na adolescência quando fruits foi lançado, e garimpei na amazon pelo melhor preço que vi nos últimos anos.


diversos



  • velvet undeground scrapbook volume 1, um achadinho aleatório num sebo gringo que amei! essa revista é uma colagem de centenas de notícias, artigos e publicidade do velvet underground até meados da década de 70. tem artigo do lester bangs, artigo sobre andy warhol, críticas e reviews musicais... um pequeno tesouro impresso.

  • the life and death of tristram shandy, gentleman, de lawrence sterne. ganhei esse livro do meu namorado depois de escrever esse post sobre brás cubas, machado de assis e a forma shandiana. não li ainda, preciso estar psicologicamente preparada pra ler tamanho calhamaço em inglês véio, mas estou empolgada com a perspectiva de começar.

  • summer of night, de dan simmons, é um mistério norte-americano dos anos 90 que se passa nos anos 60. comprei esse livro depois de um post do tiktok que o descrevia como tendo uma atmosfera parecida com stranger things - só assisti à primeira temporada, mas gosto desse tipo de mistério em cidade pequena em que coisas paranormais acontecem. eu nem ia comprar esse livro, mas numa rápida pesquisa vi que ele está esgotado, é raro e caríssimo - algumas edições de capa dura saem por mais de 3 mil reais! achei esse paperback por uns 80 na amazon e decidi que valia o investimento (até porque a versão do kindle estava quase o mesmo preço) considerando o valor e a raridade do livro.

  • o beijo da mulher-aranha, de manuel puig, que foi adaptado para o cinema de maneira magistral pelo nosso hector babenco em 1985. eu amo esse filme, já assisti algumas vezes, mas nunca tinha lido o livro. achei na casa de uma amiga e peguei emprestado, sem previsão de retorno (tenho um monte de livros pra ler mas chegarei, um dia, a esse)

  • rita lee, uma autobiografia. eu devo ser uma das únicas grandes fãs de rita lee que nunca leu a autobiografia, embora eu já tenha lido as histórias diversas e diversas vezes de outras fontes. achei esse livro limpando o apartamento de uma tia que recentemente faleceu, e me pareceu uma boa adição à minha pequena biblioteca. lerei em breve, como todos os outros livros desse post que ainda não foram lidos.

  • o vagabundo das estrelas, do stefan wul, é uma ficção científica francesa sobre a qual eu já tinha escrito antes mesmo de ler. ela foi adaptada para o cinema numa lindíssima animação do rené laloux, numa estética intergaláctica 80s que me lembrou muito meu filme favorito da barbie, barbie and the rockers out of this world, mas tipo se tivesse sido dirigido por kubrick. o tipo de adaptação tão bem pensada que nem as mudanças em relação ao livro diminuem a beleza da história. o vagabundo das estrelas é com certeza um dos melhores livros que li esse ano (e, sim, sei que ainda é março) e uma das melhores ficção científicas que li na vida (e olha que leio bastante sci-fi)

  • nas alturas: uma viagem pelo himalaia, da erika fatland. livro que ganhei do meu namorado, de uma autora que ele ama. ainda não me aventurei a começar as quase 700 páginas, mas tá aqui na lista de leituras só á espera do momento ideal.

  • a mandíbula de caim, de powis mathers sob o pseudonimo de torquemada, é um livro-mistério em que o leitor é parte integrante da história. os capítulos estão em ordem aleatória e cabe ao leitor organizar a história, reconhecer os personagens e resolver o mistério. li uma página, jurei que ia passar meses lendo até resolver, mas abandonei para nunca mais. tava tão empolgada que comprei o livro com minha irmã e um amigo, pra gente ir resolvendo juntos, mas todos os três empacamos. ainda tenho esperança de continuar e ser uma das poucas leitoras do mundo a resolver o mistério, sou ambiciosa assim.

  • o mez da gripe, de valêncio xavier, e chike and the river, do chinua achebe. por que, vocês podem se perguntar, listar um escritor curitibano e um nigeriano juntos? há uma surpreendente conexão entre esses escritores, dessas coincidências literárias que dá gosto de pesquisar e descobrir. pois eu conheci chinua achebe há alguns anos, quando li sua obra-prima things fall apart. poucos livros me emocionaram e entreteram tanto quanto esse. inclusive essa é uma das sugestões literárias que meus alunos do 3º ano do ensino médio recebem no currículo canadense das aulas de inglês, mas ainda não consegui convencê-los a ler. eles costumam escolher frankenstein, da mary shelly, que também é uma obra-prima mas um pouco já super-utilizada na cultura pop - é por essa razão que os alunos o escolhem, porque eles acham que já conhecem a história. e sem desmerecer shelley, afinal eu mesma sou uma fan-girlie de sci-fi escrito por mulheres, mas things fall apart traz uma perspectiva sobre sociedade, colonização e relacionamento humano que lá no século XIX os europeus simplesmente não possuiam. há uma poesia e uma melancolia na narrativa colonial de achebe que shelley não alcança).

    ENFIM.

    foi numa dessas tentativas de fazer meus alunos lerem chinua achebe que fui atrás de algumas referências e ideias para que eles pudessem pesquisar, e aprendi que o título do livro, things fall apart, é retirado do maravilhoso poema the second coming, do yeats, publicado em 1920. o contexto do poema é um mundo e uma sociedade profundamente fragmentados por uma guerra apenas recentemente encerrada que devastou a europa, seguida de uma pandemia que terminou de despedaçar os espíritos dos europeus. há alguns momentos do poema que podem ser relacionados ao terror da gripe espanhola, e yeats é parte de um grupo de poetas que são, às vezes, referidos como escritores da epidemia. a gripe espanhola é uma grande influência na literatura e na poesia da década de 20, ao lado da primeira guerra mundial. ainda que no contexto de guerra e epidemia, o poema the second coming traz imagens e ideias sobre morte, sobre fragmentação de uma sociedade, sobre símbolos que perdem seus signifcados, sobre fim de uma organização que conhecemos e compreendemos. no terceiro verso, yeats escreve:


    Things fall apart; the centre cannot hold


    e é daí que chinua achebe nomeou seu romance things fall apart, que retrata, também, uma comunidade na áfrica, na região da nigéria, que é rapidamente destruída e fragmentada pela chegada de missionários europeus. no livro a gente assiste, sem conseguir remediar, uma sociedade literalmente falling apart. things fall apart é também o nome de um disco do the roots, que aí já representa uma dupla intertextualidade: o disco se refere ao poema de yeats, mas também ao livro de achebe.foi lendo sobre literatura da epidemia da gripe espanhola que achei o incrível livro o mez da gripe, que, através de uma literatura quase interativa, a partir de notícias de jornal, diários pessoais e outros registros de época, traz um panorama da gripe espanhola em curitiba. eu ainda não li o livro todo, mas tô bem afim de tentar fazer uma grande análise juntando chibua achebe e yeats e the roots e valêncio xavier e outros poetas da epidemia do começo do século XX. ambiciosa demais, talvez, pruma pequena blogueirinha, mas a graça é precisamente poder escrever do meu jeito, no meu tempo, sem ter que me submeter ao crivo e à aprovação de ninguém. quem sabe num futuro próximo esse post apareça por aqui!


(e falando sobre escrever do meu jeito, terminamos agora mais um post sem conclusão, lógica ou motivo. plim!)

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