blogueira à beira de um ataque de nervos
- melody erlea

- 4 de out. de 2018
- 2 min de leitura
tem gente que vê filme pela arte, pela poesia, pelas estratégias narrativas, pela fotografia, pelo roteiro. eu vejo filme pelo figurino.
se começa o filme e as roupas não são interessantes 30% da minha atenção já se foi. da atenção que sobra, metade dela é constantemente interrompida pelos meu pensamentos gritando o tempo todo na minha cabeça "mas é ISSO que fizeram ela vestir?"
filme do almodóvar, nesse sentido, é um mega tesão: muita cor, muita roupa com propósito, figurino que é praticamente outro personagem na história
quando eu assisti mulheres a beira de um ataque de nervos, anos atrás, eu tava numa pira louca de fazer meus próprios brincos (amigas de longa data lembrarão). era brinco de patins, de coxinha, de bicho, de cabeça de barbie. meus mais queridos e populares brincos de dinossauro foram feitos por mim nessa época.
deu que do filme eu lembro vagamente de um apartamento, umas mulheres, alguém caindo pela janela (?) e um cara. não sei como esses elementos formam uma narrativa e nem a relação entre os personagens. não lembro.
mas eu nunca esqueci desse brinco de cafeteira italiana: eu nem tomo café mas vira e mexe me recordo do brinco e fico levemente triste por não possui-lo.
não sei porque a personagem tava a beira de um ataque de nervos, mas sei que esses brincos são perfeitos pra ela: só mulher desequilibrada usa eletrodoméstico como bijuteria, né não? pensa uma mulher a beira de um ataque de nervos usando brinquinho delicado folhado a ouro de mulher sensata.
e se com brincos de cafeteira italiana eu já não lembro do filme, só imagina com minha atenção a menos 30% caso eles não tivessem lá.







Comentários