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high fidelity - a série

  • Foto do escritor: melody erlea
    melody erlea
  • 4 de mar. de 2020
  • 3 min de leitura

já faz 2 meses que o remake do livro e do filme high fidelity estreou e eu ainda não tinha passado por aqui pra comentar. já assisti de cabo a rabo 3 vezes, isso é o tanto que eu fissurei nessa série.


mas não é pra pouco: o livro do nick hornby e o filme com o juhn cusack já estavam na minha lista de top obras pop da vida faz muitos anos. é aquela coisa: um retrato de um jovem de 30-e-poucos anos, meio amargurado, levemente antissocial, mas com aquele charme que apenas um indie fumante compulsivo amante de música alternativa e discos de vinil consegue ter.


o grande mote da série é atualizar os personagens pra que eles sejam mais adequados aos tempos: não temos mais 3 caras brancos e hétero trabalhando na championship vynil, e sim duas minas negras e um cara gay.


rob gordon, interpretada por zoe kravitz, é babaquinha e narcisista igual o rob do livro e do filme, mas sem os tiques machistas tipo terminar com uma mina porque ela não quer dar ou slutshame a ex porque ela tá com um cara novo.


a rob da série ainda é terrivelmente obcecada por seus relacionamentos passados e segue achando que foram seus ex que arruinaram sua vida, mas sem forçar papéis de gênero ou criar justificativas estereotipadas para explicar as ações das pessoas ao seu redor.


uma das coisas mais legais de high fidelity no formato série é que há tempo pra mostrar pequenas partes do livro que acabaram ficando de fora no filme - anedotas, que nos dão um vislumbre maior em quem é essa(e) tal de rob.


uma das mais marcantes, pra mim é a passagem do livro em que rob recebe uma ligação de uma milionária vendendo uma coleção de vinis raros. rob vai lá ver qualéqueé e são tipo centenas CEN TEN NAS de discos - primeiras edições, coisas raras, só tesouro. eu amei ver a interpretação diferente da mesma reação no livro e na série, e o rebolado que as roteristas deram pra manter a personagem verossímil mas tirar um pouco da mentalidade machista que ele usa, originalmente, pra justificar suas ações.


e a série também é legal porque deu toques pessoais muito especiais, que trazem o gostinho da nossa geração, tipo a cena em que rob, simon e cherise fumam um beck na rua enquanto caminham felizes em direção ao rolê da noite, ou o encontro maravilhosamente esquisito que rob tem no primeiro episódio com um cara vestindo uma camisa e um tricô apoiado com as manguinhas nos ombros, sabe? você já teve um encontro desse, e eu sei.


mas o que eu curti mesmo foram as referências ao filme, tipo roupas (aquela camiseta da dickies que tava lá no corpinho do john cusack em 2000), pequenos momentos de diálogos (que são do filme e às vezes do livro), certas músicas da trilha sonora (senti falta de cold blooded old times, espero que haja lugar pra essa singela canção na 2ª temporada, caso exista). é tipo ir colecionando mensagens secretas que tão lá especialmente pra quem viu o filme, sabe? tipo uma piscadela de quem diz "eu sei que vocês tão aí, high fideliters tr00, deixamos esse presentinho aqui pra você"


não sei vocês, mas eu adoro um presentinho, ainda mais em tempos de quarentena, e essa série me encheu deles.

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