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sobre séries, referências, inspiração e looks

  • Foto do escritor: melody erlea
    melody erlea
  • há 11 horas
  • 5 min de leitura

comecei a assistir a série do jfk jr. e da carolyn bessette nem sei direito por quê. não sou muito pirada em famílias quatrocentonas bilionárias nem no visual magra-loira-rica-minimalista das celebridades socialites do quiet luxury, mas a série tava lá, eu precisava de uma pausa pra mente, e calhou de a narrativa ser agradável o suficiente pra acalmar os ruídos do meu cérebro.


acho curioso o timing do lançamento dessa série, numa época em que ser bilionário, herdeiro e famoso não é necessariamente suficiente para ser admirado pelo grande público - diria até o contrário, né, estamos cercados de bilionários bem desagradáveis. não deixo de pensar que o lançamento dessa série é de leve um plot para fazer o grande público voltar a gostar de bilionários nepobabies: olha que gracinha o john john, tão bonzinho, quase ingênuo, tão bonito e educado, what a gentlemen. e olha a carolyn, que exemplo, que trabalhadora, que mulher elegante, discreta e inteligente, olha como ela veio do nada e esculpiu seu caminho e sua credibilidade com seu profissionalismo até chegar merecidamente na mesma festa frequentada por um kennedy.


veja bem, não os conheço. são pessoas públicas que faleceram quando eu era ainda uma criança. se eles eram realmente essa gente fina-elegante-e-sincera que a série mostra eu jamais saberei, e talvez até fossem, quem sou eu para duvidar. mas que momento propício pra nos lembrar que bilionários também são bonzinhos, né?


e a série realmente é gostosinha o suficiente pra gente conseguir aceitar os protagonistas como "gente como a gente". a ambientação 90s colabora muito pra essa sensação de aconchego dos episódios: nova york nos anos 90, os escritórios da calvin klein, os looks, toda vez que a carolyn joga seu cabelo prum lado e pro outro de maneira "natural"... dá uma nostalgia gostosa, dá aquela sensação de que, poxa, houve uma época nesse mundo em que as coisas pareciam mais normais, mais fáceis, mais simples de entender.


essa atmosfera pré smart phones, pré redes sociais, em que o filho de um presidente vai para o trabalho de bicicleta e a diretora de publicidade de uma grande marca de moda pega metrô e compra uma vogue e um maço de cigarros por 2 dólares... faz a gente sentir que perdeu algo essencial nos últimos anos. nada mais cool que o tempo em que o dinheiro valia alguma coisa, né.


e os looks da carolyn na série mostram algo que simplesmente não existe mais quando se trata de celebridades vivendo suas vidas rotineiras nas ruas: ela não tá sempre montada, embora fique claro que ela tem acesso à roupas de qualidade e possui um bom gosto millimetricamente refinado. uma roupa esportiva podia ser só uma roupa esportiva, um jeans e camiseta era só um jeans e camiseta. as fotos de paparazzi não viravam uma vitrine para uma marca ser vista e copiada, para que a existência dessas pessoas fosse um eterno merchant, a pessoa pública não precisava estar constantemente e eternamente preocupada com seu próprio "branding". a vida, até dos ricos e famosos, parecia mais natural e real.


e se a intenção era fazer a gente gostar de um casal bilionário, não vou mentir, fazer a blasé e dizer que não me pegou. pegou sim, e atribuo isso à escolha do elenco. os atores interpretando jfk jr e carolyn são muito mais cativantes do que os registros que sobraram do casal real. a atriz sarah pedgeon foi a escolha ideal para reviver o estilo minimalista de carolyn e fazer o inalcançável quiet luxury parecer descolado e inspirador - e iniciou uma grande tendência online de gente querendo ser clone de carolyn, o que é consideravelmente menos descolado.


acho que esse é outro contraste claro que a série trouxe em relação a moda e estilo pessoal: pré redes sociais, a gente via menos essa obsessão por imitar os ícones do momento ipsis litteris: não dava pra simplesmente imitar a carolyn bessette, porque só ela era, bom, ela. essa proliferação de carolyn-wannabes na internet é justamente o que, lá nos anos 90, incitaria uma reação de escárnio - poucas coisas eram piores do que ser um wannabe ou um poser. já na era das redes sociais, parece que há uma competição pra quem imita mais perfeitamente uma pessoa que nunca seremos. ser um poser é basicamente hours concours, já que no online estamos sempre posando, sempre competindo por atenção, sempre performando.


e mesmo sem querer imitar carolyn bessette, é difícil ficar imune - eu mesma fui altamente influenciada pela série e fui trabalhar outro dia de calça jeans e camiseta preta, o mais perto da simplicidade discreta de carolyn que eu, com meu sangue brasileiro e romeno, consegui chegar. minha calça é pantalona e meu look foi enfeitado por anéis e brincos e uma bolsa louis vuitton vintage não muito discreta que herdei recentemente de uma tia. o resultado final ficou beeemm distante da estética carolyn bessette, mas que eu fui influenciada... não dá pra negar.


para além de carolyn bessette, estou revendo rita, a série dinamarquesa sobre a professora mais cool do mundo. rita também, a seu modo, tem um estilo meio minimalista que acabou me influenciando nos últimos dias. calça jeans skinny, jaquetinha de couro, camisa xadrez... se o estilo de rita não é o que seria considerado fashionista, ele com certeza é único, pessoal e intransferível.


não sei direito se a calça jeans resultou mais de ver carolyn bessette ou rita na tv, mas posso afirmar que durante a semana passada andei pela escola com uma auto confiança que com toda certeza eu copiei das duas (mais da rita do que de carolyn, afinal rita tem a minha profissão e uma realidade de vida muito mais próxima da minha, mesmo morando numa linda casa rústica no terreno da belíssima e moderníssima escola onde leciona no pacatíssimo subúrbio de copenhague).


de qualquer jeito, longe de querer copiar carolyn ou rita, meu approach pra esse tipo de influência é outro: me deixar inspirar por algo que me encanta e me permitir assimilar elementos de seja-lá-o-que-for que me encantou ao meu já bem definido estilo. eu sei do que eu gosto, sei como me visto, sei do meu repertório, e essas séries são apenas mais um tempero no caldeirão de referências que eu acumulo pra tentar mostrar quem eu sou. nada de copy-paste, nada de wannabe, apenas aceitando os elementos da cultura pop - inclusive as séries que estou assistindo no momento - como parte integrante de como eu me construo socialmente. porque estilo não é copiar uma roupa bonita ou cara, estilo é um perpétuo estado de curiosidade, confiança, consciência de quem somos e visão. se a gente tem que emular completamente o estilo de outra pessoa, por mais que a admiremos, significa que não temos o nosso próprio.


sem mais delongas, aqui uma pequena galeria de alguns looks meus usados nos últimos tempos, incluindo o look de calça jeans já mencionado e alguns outros mais legais (não tenho fotografado todos mas tenho tentado recuperar o hábito de registrar minhas roupas, espero aos poucos voltar a ser mais assídua nesse sentido. nem todas as fotos são boas mas, como dizem por aí, antes feito do que perfeito)








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