um pequeno adeus a little richard
- melody erlea

- 4 de mai. de 2020
- 2 min de leitura
Atualizado: 27 de jan. de 2025

já falei por aqui sobre os dândis negros e a importância do dandismo na construção da estética da diáspora da comunidade negra. desde seu surgimento os dândis exploravam os limites de gênero, vaidade e performance sartorialista, se apropriando de rituais de moda e beleza considerados femininos na sociedade e os assimilando à elegância e experimentação sexual e intelectual de homens aculturados.
quando o negro nas américas e na europa passa a, também, se utilizar dessas ferramentas pra criar uma estética original ele também subverte ordens sociais de classe e raça. janice miller, autora do livro "fashion and music", diz que o poder da moda de simbolicamente forçar os limites colocados sobre um grupo social específico e de trazer confronto em si mesma e a partir dos corpos que a vestem foi estabelecido desde cedo no universo da música - e especialmente da música negra.
little richard, como tantos outros artistas musicais negros, se apresentava de terno, símbolo da elegância masculina ocidental, mas ele não conformava seus ternos à aparência esperada de um homem branco de sucesso: ele misturava elementos performáticos, como paetês, maquiagem, brilhos, saltos, e caimentos e modelagens que remetiam a outras comunidades artísticas negras, como o terno zoot, popular nas comunidade afro, latino e ítalo-americanas.
não é surpresa que na música negra moda e música se interlaçam com tanta força: é só pensar no prince, no jimi hendrix e em tantos rappers que usam a moda como parte de sua marca e sua estética.
mas little richard foi um dos primeiros, aguentou todas as bombas e abriu todo um caminho para a representatividade fashion dos artistas negros.
nos deixa, mas seu legado musical, social e fashion segue conosco.







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